Monday, 28 May 2007

Op.9: Diabolus in coitus


Os teus olhos,
exigindo
ser bebidos

Os teus ombros,
reclamando
nenhum manto

Os teus seios,
pressupondo
tantos pomos

O teu ventre,
recolhendo
o relâmpago.

David Mourão-Ferreira (1927-1996) Música de Cama. Lisboa: Editorial Presença,1994.

Saturday, 26 May 2007

Op.8: Ay flores, ay flores do verde pino



Ay flores, ay flores do verde pino - Frederico de Freitas (1902-1980)



Cena de Amor (pormenor), séc. XIV - Mosteiro de S. Domingos de Silos (Burgos)


Dom Dinis (1261-1325)

- Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
Ai Deus, e u é?

Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo!
Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi á jurado!
Ai Deus, e u é?

[- Vós me perguntades polo voss'amigo,
e bem vos digo que é san'vivo.
Ai Deus, e u é? ]

Vós me perguntades polo voss'amado,
e eu bem vos digo que é viv'e sano.
Ai Deus, e u é?

E eu bem vos digo que é san'e vivo
e seera vosc'ant'o prazo saído.
Ai Deus, e u é?

E eu bem vos digo que é viv'e sano
e seera vosc'ant'o prazo passado.
Ai Deus, e u é?

Op.7: Ondas do mar de Vigo



Sabedes novas desta transcriçom jogral Ferreyra?
- E ay Deus a ditou!

A este propósito, relebremos a célebre "boutade"
do musicólogo americano Prof. Robert J. Snow (m. 1998):
"A Idade Média é o único periodo da História da Música Ocidental
onde ainda se pode escrever [e fazer] ficção"

Tuesday, 22 May 2007

Op.5: Cantiga de Escárnio





(Cantiga de Santa Maria, n.º ccxxvi
j)





















(Anónimo, séc. XX)














Ai, dona fea, fostes-vos queixar
que vos nunca louv[o] em meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!

Dona fea, se Deus mi pardom,
pois avedes [a]tam gram coraçom
que vos eu loe, em esta razom
vos quero ja loar toda via;
e vedes qual sera a loaçom:
dona fea, velha e sandia!

Dona fea, nunca vos eu loei
em meu trobar, pero mui trobei;
mais ora ja um bom cantar farei,
em que vos loarei toda via;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!

(Joam Garcia de Guilhade, fl. 1239)

Dona feia?
Será que o Poeta ensandeceu ou foi o Anonymus IV!

Sunday, 20 May 2007

Op.3: Mignonne, allons voir si la rose

Ars longa, vita brevis


Mignonne, allons voir si la rose
Qui ce matin avoit desclose
Sa robe de pourpre au Soleil,
A point perdu ceste vesprée
Les plis de sa robe pourprée,
Et son teint au vostre pareil.

Las ! voyez comme en peu d'espace,
Mignonne, elle a dessus la place
Las ! las ses beautez laissé cheoir !
Ô vrayment marastre Nature,
Puis qu'une telle fleur ne dure
Que du matin jusques au soir !

Donc, si vous me croyez, mignonne,
Tandis que vostre âge fleuronne
En sa plus verte nouveauté,
Cueillez, cueillez vostre jeunesse :
Comme à ceste fleur la vieillesse
Fera ternir vostre beauté.

(Pierre de RONSARD, 1524-1585)

Op.1: Tritonus est peccata?

Tritono, s. m. Que tem tres tons ; intervalo de quarta augmentada.
(Ernesto Vieira, Diccionario Musical. Lisboa: J.G.Pacini, 1899, p. 506)
Diabolus in musica ou Discordantia perfecta (séc. XIII)